Ela veio
delicada e acolhedora
como a folha mais cara do melhor papel
e enlaçou-me
com o seu café expresso espiral
com a sua conversa brejeira ao pé-do-ouvido
com o seu estilo de lady inglesa/tupiniquim
Ah! o que fizeste de mim?
contigo há o perigo das horas calmas
eu contando as pintas peraltas de tuas costas
brincando com as tintas de tua music bossa
deixando-me ser barbeado por suas mãos ensaboadas
lembrando-me de ser gente
curando os meus secretos cortes
assim montando adoidado na garupa da sorte
H. L. C.
Da série "de quando minha casa era o teu ateliê"
sexta-feira, 26 de junho de 2015
os dois
Escrevo em papel de pão
como só antigamente se fazia.
Em papel de pão
Decalco a tua mão
nesta noite quente
e a pego de presente.
A tua voz não preciso decalcar.
Já vive em mim, nestes dias.
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
como só antigamente se fazia.
Em papel de pão
Decalco a tua mão
nesta noite quente
e a pego de presente.
A tua voz não preciso decalcar.
Já vive em mim, nestes dias.
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
quinta-feira, 25 de junho de 2015
talvez açúcar
Menina grande
no meio da tarde
tuas doces mãos
envolvem o meu coração
linda assim
com tuas vestes leves
e tuas alpercatas
pacas!
o teu corpo um continente
e eu o teu bandeirante
a explorar o teu sertão
as tuas matas
e os rios que brotam do teu interior
sou mil animais selvagens a cavalgar no teu ventre
sou o "quero-quero" a cantar singelo
a fazer-te contente
menina grande do nome pequeno
talvez amanhã
outra vez deitado no teu colo
plantarei em teu continente
a imprudência da palavra "permanente"
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
no meio da tarde
tuas doces mãos
envolvem o meu coração
linda assim
com tuas vestes leves
e tuas alpercatas
pacas!
o teu corpo um continente
e eu o teu bandeirante
a explorar o teu sertão
as tuas matas
e os rios que brotam do teu interior
sou mil animais selvagens a cavalgar no teu ventre
sou o "quero-quero" a cantar singelo
a fazer-te contente
menina grande do nome pequeno
talvez amanhã
outra vez deitado no teu colo
plantarei em teu continente
a imprudência da palavra "permanente"
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
Bom e incerto
o sorriso
no rosto desejado e querido
o abrigo encontrado pelas mãos amáveis
no quadril
da amante gentil
a soluçar os olhos fechados em confissão viril
o universo
traduzindo seu infinito
em descargas elétricas
os aromas da natureza
nas formas da beleza
os seios médios
o abdômen reto e comprido
as pernas longas
e os espasmos do quadril gentil
desejado e querido
abrigando
as descargas elétricas em confissão
ao universo
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
no rosto desejado e querido
o abrigo encontrado pelas mãos amáveis
no quadril
da amante gentil
a soluçar os olhos fechados em confissão viril
o universo
traduzindo seu infinito
em descargas elétricas
os aromas da natureza
nas formas da beleza
os seios médios
o abdômen reto e comprido
as pernas longas
e os espasmos do quadril gentil
desejado e querido
abrigando
as descargas elétricas em confissão
ao universo
H. L. C.
Da série "crônicas incertas de amor"
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Assim como mulheres em notas de rodapé
Amores grandes
dão poemas nanicos:
nanopoemas.
Amores-problemas,
esses fodem poemas compridos:
poemaslibido.
H. L. C.
Da série "carbono 14"
dão poemas nanicos:
nanopoemas.
Amores-problemas,
esses fodem poemas compridos:
poemaslibido.
H. L. C.
Da série "carbono 14"
bilhete em garrafa
Já fui artista.
Hoje, sou otorrinolaringologista.
Mas também podia ser hipopótamo;
Ou pato;
Ou barco;
Ou tapete persa.
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
Hoje, sou otorrinolaringologista.
Mas também podia ser hipopótamo;
Ou pato;
Ou barco;
Ou tapete persa.
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
"arriscoso"
Pobre Arlequim!
Comeu tanto alecrim
que vestiu-se de Pantaleao
e errou a festa...
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
Comeu tanto alecrim
que vestiu-se de Pantaleao
e errou a festa...
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
quase perto
Esses versos
perversos
são feito a cola
que já não segura
o retrato velho no papel parede
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
perversos
são feito a cola
que já não segura
o retrato velho no papel parede
H. L. C.
Da série "meus poemas quase-póstumos"
recorte
Tenho andado em colóquio
com mil mariposas marcianas,
nesta semana.
Trazem-me notícias do povo de Marte,
que em boa parte,
adora chocolate
com conversa fiada
e churros ao doce de leite.
H. L. C.
com mil mariposas marcianas,
nesta semana.
Trazem-me notícias do povo de Marte,
que em boa parte,
adora chocolate
com conversa fiada
e churros ao doce de leite.
H. L. C.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Garotinha de trinta anos 2
Pálida, mas sensual como Tina Turner aos trinta anos.
Pálida, mas com o sorriso de Tina Turner.
Pálida, mas com o timbre de Tina Turner.
Pálida, mas com as pernas de Tina Turner.
Pálida, uma branca meio que Tina Turner pálida.
Rindo de mim feito uma Tina Turner.
Uma Tina Turner.
Assim, um diabo.
Não sei que diabo ela me faz.
Não sei que diabo ela me fez.
Essa garota pálida.
Uma garota pálida.
Mas, sensual como Tina Turner aos trinta e dois anos.
Essa garota branca. Aqui, ao meu lado.
Com as pernas de Tina Turner.
Como a bagunçar a pontuação do meu texto.
Com essas pernas nuas, suas, de Tina Turner.
P/ Milene.
H. L. C.
Pálida, mas com o sorriso de Tina Turner.
Pálida, mas com o timbre de Tina Turner.
Pálida, mas com as pernas de Tina Turner.
Pálida, uma branca meio que Tina Turner pálida.
Rindo de mim feito uma Tina Turner.
Uma Tina Turner.
Assim, um diabo.
Não sei que diabo ela me faz.
Não sei que diabo ela me fez.
Essa garota pálida.
Uma garota pálida.
Mas, sensual como Tina Turner aos trinta e dois anos.
Essa garota branca. Aqui, ao meu lado.
Com as pernas de Tina Turner.
Como a bagunçar a pontuação do meu texto.
Com essas pernas nuas, suas, de Tina Turner.
P/ Milene.
H. L. C.
olhada em preto e branco
Moça dos lábios finos,
se antes éramos meninos,
agora trintões
já somos,
e em comum apenas restaram-nos
em nossos botões
os pensamentos de quem juntos um dia fomos...
Esses lábios finos teus que outra vez aparecem...
Já não me carecem.
Deles já não careço.
Já não me causam efeito.
E, não obstante todos os nossos defeitos,
moça dos lábios finos,
não temos, tu e eu, tempo para fotos em preto e branco.
H. L. C.
Da série "carbono 14"
se antes éramos meninos,
agora trintões
já somos,
e em comum apenas restaram-nos
em nossos botões
os pensamentos de quem juntos um dia fomos...
Esses lábios finos teus que outra vez aparecem...
Já não me carecem.
Deles já não careço.
Já não me causam efeito.
E, não obstante todos os nossos defeitos,
moça dos lábios finos,
não temos, tu e eu, tempo para fotos em preto e branco.
H. L. C.
Da série "carbono 14"
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Duas palavras a uma paloma
Há tanta poesia
no gosto do teu sexo,
que eu,
perplexo,
sorrateiramente dobro a esquina da gramática
para escapar de te dizer
palavras que não serão...
H. L. C.
no gosto do teu sexo,
que eu,
perplexo,
sorrateiramente dobro a esquina da gramática
para escapar de te dizer
palavras que não serão...
H. L. C.
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