sabes o que é poesia fácil?
eu vou contar-te:
amanhã de manhã
não sobrará nada de nós...
nem mesmo a lembrança daquela garrafa de vinho Canepa já pela metade;
nem mesmo aquelas últimas três fatias do teu pão preto;
ah, o amor.
o amor que brota dos traços de tua boca...
a tua boca, meu bem,
foi desenhada na madrugada pelo amor...
e o amor é um bicho escroto!
da série 'de quando minha casa era o teu ateliê'
H. L. C.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
pontes dos suspiros
a garota do violoncelo
a garota pálida
tem pernas alegres
como as pernas de Tina Turner
H. L. C.
a garota pálida
tem pernas alegres
como as pernas de Tina Turner
H. L. C.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Experimento sob afinação n. 01
a poesia é morta, querida Inês...
por mais que eu tente,
não sou
Renoir
Degas
Monet
para capturar a luz
e te impressionar...
em mim, não há nada de Pierre August,
de Edgar,
de Claude...
vejo o mundo de um modo surreal...
e, com minhas letras,
flerto com o pontilhismo...
mas, qual!
todas as paisagens me são afetas.
das pontes,
feitas a pinceladas fortes,
emergem tuas pernas
longas,
torneadas,
magras,
pernas de garça branca...
e da aurora,
teus cabelos,
cor de milharal já em tempos de colheita,
derramados sobre minha face,
fazem brotar dos meus olhos todas as flores do mundo,
flores! flores de todos os cantos
com as cores do espanto
girassóis russos imensos,
ou pelo menos o cheiro deles,
parece nascer dos teus cabelos cor de milharal...
mas não adianta, tola Inês...
jamais serei manet
muito menos monet,
minhas paisagens são pífias
e na minha cabeça tenho apenas uma pintura guardada...
na verdade, um croqui,
desses que não valem de nada:
quando fecho os olhos,
sempre que posso,
vejo uma margarida branca,
metida num vestido branco,
que me fala por meio de notas musicais,
é quando de sua boca
ouço óperas de Wagner em elipses viscerais
e meu sangue corre para terras desconhecidas...
H. L. C.
da série "poesia em degrau"
por mais que eu tente,
não sou
Renoir
Degas
Monet
para capturar a luz
e te impressionar...
em mim, não há nada de Pierre August,
de Edgar,
de Claude...
vejo o mundo de um modo surreal...
e, com minhas letras,
flerto com o pontilhismo...
mas, qual!
todas as paisagens me são afetas.
das pontes,
feitas a pinceladas fortes,
emergem tuas pernas
longas,
torneadas,
magras,
pernas de garça branca...
e da aurora,
teus cabelos,
cor de milharal já em tempos de colheita,
derramados sobre minha face,
fazem brotar dos meus olhos todas as flores do mundo,
flores! flores de todos os cantos
com as cores do espanto
girassóis russos imensos,
ou pelo menos o cheiro deles,
parece nascer dos teus cabelos cor de milharal...
mas não adianta, tola Inês...
jamais serei manet
muito menos monet,
minhas paisagens são pífias
e na minha cabeça tenho apenas uma pintura guardada...
na verdade, um croqui,
desses que não valem de nada:
quando fecho os olhos,
sempre que posso,
vejo uma margarida branca,
metida num vestido branco,
que me fala por meio de notas musicais,
é quando de sua boca
ouço óperas de Wagner em elipses viscerais
e meu sangue corre para terras desconhecidas...
H. L. C.
da série "poesia em degrau"
poesia em degrau
tu,
com teus olhos verdes,
como te chamas?
tu, com teus lábios delicados,
quantos beijos há tanto guardados,
ainda me darás nas manhãs de domingo?
tu,
com teu corpo branco e macio,
com teu cheiro
e com teu feminino ardil
e plena da doçura atrevida de teus seios,
aonde me leva(ria)s
tu, cheia de chamas?
tu, com teus enleios,
com teus travesseiros,
com teus dotes fagueiros,
com teus docinhos,
com teus "bicos",
com teus vinhos,
vinhos de safras raras
que ainda beberemos (?)
tu, com teus olhos verdes
e com esse teu pescoço meio anjo-diabo,
e com tua barriguinha pouco mais que linda...
tu, com o teu "duda",
com tuas dúvidas,
com nossas "grudas"
tu, com tua manteiga desnatada
com tua risada danada
com tua voz embargada
de fazer prazer
tu,
falando
pensando
gesticulando
chorando
amando
tu, com teus livros
teus filmes
teus cheiros
teus pelos
teus caminhos
tuas dores
tu,
com tua pele frutada
com gosto de uísque 12 anos
tu, com a leveza certa de um jazz
tu, sensual como uma canção de Merle Haggard
tu, arisca e confusa
menina e mulher
tu,
aconchegante como as notas líquidas de um piano madrigal de
outono,
tu, feito poesia em degrau
a pedir tintas
incompleta
inacabada
ainda em promessa...
tu, o que farás de mim?
H. L. C.
da série "poesia em degrau"
da série "poesia em degrau"
terça-feira, 10 de novembro de 2015
erros ortográficos
eu
passeando nos teus pequenos delírios
bebendo de tuas cervejas especiais
pernoitando em teus poemas que penduras em varais
eu comendo do teu abacate com mel
eu agora peticionando o uso vitalício do teu ventre
uma delícia
aberta
possessa
canina
singela
com gosto de marmelo e seriguela
pausa?
não.
H. L. C.
passeando nos teus pequenos delírios
bebendo de tuas cervejas especiais
pernoitando em teus poemas que penduras em varais
eu comendo do teu abacate com mel
eu agora peticionando o uso vitalício do teu ventre
uma delícia
aberta
possessa
canina
singela
com gosto de marmelo e seriguela
pausa?
não.
H. L. C.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
segredinhos
Paloma
um colo macio
cheiro de alegria e alecrim
senhora de garrafas furtadas de botequim
dessas mulheres boas de cuca
e boas de si
Paloma sempre tem uma frase "espertinha da hora"
lá em seu castelo
onde tem mil vinhos
e mil segredinhos
que pingam gota a gota por aí
e às vezes em mim...
H. L. C.
um colo macio
cheiro de alegria e alecrim
senhora de garrafas furtadas de botequim
dessas mulheres boas de cuca
e boas de si
Paloma sempre tem uma frase "espertinha da hora"
lá em seu castelo
onde tem mil vinhos
e mil segredinhos
que pingam gota a gota por aí
e às vezes em mim...
H. L. C.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
a melhor vida!
nunca houve,
em todas as Rússias,
mulher mais mulher
do que Anna Grigórievna Snítkina.
Anna foi a mais amável personagem...
Anna foi a obra mais vigorosa...
Anna foi a melhor vida...
de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski.
H. L. C.
em todas as Rússias,
mulher mais mulher
do que Anna Grigórievna Snítkina.
Anna foi a mais amável personagem...
Anna foi a obra mais vigorosa...
Anna foi a melhor vida...
de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski.
H. L. C.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
"nouvelle vague"
despedindo-me
de minha terzietà
livre
corriqueiramente livre
ao alvedrio do timbre de tua voz
H. L. C.
sábado, 17 de outubro de 2015
entre laços e cheiros
aí estaremos
mordendo o tempo
comendo o tempo
fazendo o tempo de sapato
as horas certas, simplesmente as horas
a intensidade, mas já sem pressa
sim, certamente aí estaremos
como naquela tua música de Miles Davis
procurando um nosso tempo
espalhados na grama rabiscada de uma praça,
mergulhados entre alfarrábios
de mil vidas instantâneas
todas muito engraçadas
ou fumando encolhidos num cantinho noturno
de um hotel encolhido
aí estaremos
contando histórias
rindo de carambolas maduras
que despencam dos céus
H. L. C.
mordendo o tempo
comendo o tempo
fazendo o tempo de sapato
as horas certas, simplesmente as horas
a intensidade, mas já sem pressa
sim, certamente aí estaremos
como naquela tua música de Miles Davis
procurando um nosso tempo
espalhados na grama rabiscada de uma praça,
mergulhados entre alfarrábios
de mil vidas instantâneas
todas muito engraçadas
ou fumando encolhidos num cantinho noturno
de um hotel encolhido
aí estaremos
contando histórias
rindo de carambolas maduras
que despencam dos céus
H. L. C.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
minhas horas no mundo
todas as minhas horas no mundo
como ontem
como hoje
serão tuas
porque es tão doce
porque es tão bonita
tão despretensiosamente bonita
que eu já nem preciso de metáforas inúteis
H. L. C.
como ontem
como hoje
serão tuas
porque es tão doce
porque es tão bonita
tão despretensiosamente bonita
que eu já nem preciso de metáforas inúteis
H. L. C.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
tarde bonita
uma casinha
como uma casinha de um romance
de Machado
uma casinha
comezinha
de um rosto delicado
lá onde mora uma flor
enamorada
de um sol de amor
H. L. C.
da série 'de quando minha casa era o teu ateliê'
como uma casinha de um romance
de Machado
uma casinha
comezinha
de um rosto delicado
lá onde mora uma flor
enamorada
de um sol de amor
H. L. C.
da série 'de quando minha casa era o teu ateliê'
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
assim, contigo...
diante dos teus olhos grandes e verdes...
da alegria do teu rosto...
dos teus cabelos leves e perfumados...
Deus!, diante dos teus poros...
eu, que nunca medo tive de nomear as coisas...
que sempre fui senhor de imensas vigas de palavras saltitantes...
e rios profundos de tintas e pincéis bravios...
morro de medo de pronunciar para mim mesmo a palavra
aquela palavra tola e imperdoável,
que me ocorre diante destes teus poros...
H.L.C.
da alegria do teu rosto...
dos teus cabelos leves e perfumados...
Deus!, diante dos teus poros...
eu, que nunca medo tive de nomear as coisas...
que sempre fui senhor de imensas vigas de palavras saltitantes...
e rios profundos de tintas e pincéis bravios...
morro de medo de pronunciar para mim mesmo a palavra
aquela palavra tola e imperdoável,
que me ocorre diante destes teus poros...
H.L.C.
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